Acontecimentos como o de ontem, como a queda de um avião (aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro), impactam o serviço, sem dúvida. O problema maior não é o atraso do vôos, apenas, bastante previsível, diante da ocorrência; é a lamentável falta de comunicação tempestiva, clara e adequada aos passageiros, por parte das empresas e dos funcionários do Aeroporto.
Os passageiros não conseguem saber a previsão do novo horário de seu vôo; ficam confinados nas salas de embarque, sem poder sair, com medo de perder o vôo que, esperam, poderá sair “a qualquer momento”; cancelam compromissos, sem a chance de apenas postergá-los por algumas horas, por falta de previsibilidade; os fumantes, que tem seu direito restrito a certas áreas, ficam impossibilitados de acessá-las, por não ser oferecida a eles qualquer alternativa, diante do “silêncio absoluto” que a situação impõe.
Infra-estruturas de alimentação, higiene e acomodações também ficam comprometidas, devido ao grande número de passageiros ali acumulados (amontoados seria um termo mais apropriado, na verdade).
De olho nas classes C e D, empresas aéreas e aeroportos também deveriam se preocupar (teriam de ser obrigados a isso?) em lançar campanhas que busquem disseminar o maior número de informações a estes novos passageiros, distribuindo cartilhas e melhorando as informações nos letreiros e placas indicativas nos aeroportos.
Informação precisa, clara, adequada, tempestiva. Chega a ser lamentável ter de “defender” a importância dessa premissa tão básica de qualquer relação, 20 anos depois de editado o Código de Defesa do Consumidor. Será mesmo que incorporar essa premissa aos negócios poderia torna-los menos rentáveis ou vantajosos? Infelizmente, é essa a mensagem que se passa aos cidadãos, diante de situações como essas que, infelizmente, mostram-se ainda tão comuns, em nossos “jurássicos” aeroportos.

